Gabriel Dudziak - 01/10/2010
Em agosto de 2010, quis o destino - e a diretoria do São Paulo - que Sérgio Baresi e Rogério Ceni se reencontrassem no time profissional. Os dois foram companheiros na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1993, quando o tricolor bateu o Corinthians por 4 a 3, em uma final lembrada por muitos até hoje. Além deles, outros jogadores que fariam história nos anos seguintes também estavam naquele jogo, casos de Sylvinho, Jameli, André Luis e Marques. O craque daquela Copinha, no entanto, não foi nenhum desses nomes, nem Ceni, nem Baresi, mas sim o meia atacante corintiano Fabinho Fontes. Fábio Roberto Teixeira Fontes nasceu no dia 29 de março de 1974 e apareceu para o futebol nas próprias categorias de base do Corinthians. Meia direita de habilidade, visão de jogo e arremates precisos, Fabinho se tornou um dos principais nomes da equipe júnior alvinegra que disputava em 93 a maior competição da categoria. Naquele time, ele e Marques infernizavam as defesas adversárias com movimentação e habilidade para fugir dos marcadores, pelos lados ou pelo centro do campo, ora como meias, ora como atacantes de velocidade.
Com esse estilo de jogo fluido e empolgante, além da grande habilidade nas cobranças de bola parada, Fabinho acabou sendo, mais do que protagonista corintiano, o grande destaque de toda a competição. Ele e sua equipe, no entanto, pararam diante do São Paulo em final de contornos épicos e que teve Jameli, com três gols, e Marques, com dois, como protagonistas. Mesmo com a derrota, Fabinho foi eleito a grande revelação do torneio.
Novamente destaque da Copinha
Depois de um 1994 de desenvolvimento, mas sem momentos de grande brilho, o meia corintiano voltou a aparecer em 95, novamente na Copa São Paulo de Futebol Junior. Aos 20 anos e dividindo a responsabilidade de carregar o time com nomes como o do zagueiro e lateral André Santos, do ala esquerdo Sylvinho e da dupla de ataque composta por Webster e Jorginho, Fabinho Fontes mostrou não só a habilidade e organização de 93, mas também um faro de gol apurado. Na campanha que culminou com o primeiro título corintiano do torneio após um jejum de 27 anos, Fabinho foi o artilheiro da competição e novamente um dos grandes destaques.
Os dois grandes desempenhos na Taça São Paulo fizeram com que o meia fosse promovido aos profissionais logo após o torneio de 95. Sob o comando do técnico Eduardo Amorim, fez parte do elenco campeão paulista ainda naquele ano. No entanto, ao mesmo tempo em que tentava se firmar, Fabinho Fontes revelava também uma faceta difícil de sua personalidade. Arredio e sempre motivado pela máxima de "não levar desaforo pra casa", passou também a acumular episódios de desentendimentos com colegas e casos de indisciplina.
Nas poucas chances que teve da sua promoção em diante, Fabinho não correspondeu. O meia direita habilidoso e decisivo de outrora deu lugar a um jogador lento e dispersivo que acabou fazendo apenas 14 partidas e um gol, de acordo com o Almanaque do Corinthians, do jornalista Celso Unzete. No final de 1996, aquele que era considerado um dos maiores talentos do clube acabou deixando o Parque São Jorge pela porta dos fundos. E foi para nunca mais ganhar as manchetes.
Pelo país e mundo afora
De 97 a 99, Fabinho passou por nada menos do que cinco clubes; Taubaté, União São João de Araras, Alverca, de Portugal, Figueirense e Bragantino. Em todos repetiu os desempenhos apenas razoáveis da época de profissionais do Timão. Ainda assim no ano 2000 o meia conseguiu uma transferência para a LDU, do Equador, onde ficou por dois anos alternando bons e maus desempenhos. De volta ao Brasil em 2002, atuando dessa vez pelo Sampaio Corrêa, voltou a decepcionar e se transferiu ainda no mesmo ano para a Independente de Limeira. No interior de São Paulo, Fabinho Fontes teve uma razoável sequência de duas temporadas, em que teve mais chances e mostrou certo futebol. Em 2004, aos 30 anos, se transferiu para o América de Natal. Ficou lá apenas um ano e em 2005 foi para o Corinthians... de Alagoas, onde teve duas temporadas de relativo sucesso. Depois do tour na região nordeste, Fabinho foi para o norte, onde defendeu o Ananindeua do Pará, sendo artilheiro do estadual de 2007. Foi seu último momento de destaque na carreira futebolística.
De 2007 pra frente só passou por equipes ainda mais inexpressivas, como Crato, do Ceará, Imperatriz, do Maranhão, Botafogo da Paraíba e novamente pelo Ananindeua, em 2010. Aos 36 anos, Fabinho Fontes recentemente pendurou as chuteiras e passou a integrar o rol dos ex-jogadores profissionais que hoje atuam no showbol. O time não poderia ser outro: o Corinthians paulista, que o revelou para o futebol, mas nunca viu tudo o que ele prometia se tornar realidade.
Ficha técnica
Nome completo: Fábio Roberto Teixeira Fontes
Data de Nascimento: 29/03/1974
Local de Nascimento: São Paulo (SP), Brasil
Clubes que defendeu: Corinthians, Taubaté, União São João, Alverca (POR), Figueirense, Bragantino, LDU (EQU), Sampaio Corrêa, Independente de Limeira, América-RN, Corinthians-AL, Ananindeua, Crato, Imperatriz, Botafogo-PB e São José
Nenhum comentário:
Postar um comentário