sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Moraes autoriza encontro de Tarcísio com Bolsonaro na próxima quinta-feira após cancelamento

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como “Papudinha”. Após o recuo do governador, que cancelou o encontro previsto para hoje sob a justificativa formal de compromissos em São Paulo, o ministro permitiu que os dois se reúnam na próxima quinta-feira, entre 11h e 13h.

Este será o primeiro encontro entre os dois desde a prisão de Bolsonaro, no fim de novembro — e também a primeira conversa desde que o ex-presidente indicou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato ao Planalto, em dezembro.

Após o cancelamento, Tarcísio tentou conter especulações sobre 2026, reafirmar que será candidato à reeleição e reforçar publicamente lealdade a Bolsonaro. Em publicação no X, o governador escreveu:

— Sou candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade.

Segundo interlocutores, o reagendamento busca reduzir o desgaste político provocado pelo cancelamento e retomar o caráter “pessoal” do encontro, tratado pelo entorno de Bolsonaro como gesto de solidariedade. A avaliação do grupo é que, como a visita já havia sido autorizada anteriormente, a remarcação serviria para evitar a leitura de afastamento de Tarcísio em relação ao ex-presidente, em meio à disputa interna do bolsonarismo sobre o desenho de 2026.

Novo coordenador da campanha de Flávio é autorizado

Moraes também autorizou que o senador Rogério Marinho (PL-RN) visite Bolsonaro na Papudinha. O encontro está marcado para quarta-feira, 4 de fevereiro, das 8h às 10h.

A autorização para a visita de Marinho ocorre no momento em que o senador ganhou centralidade na estratégia eleitoral do bolsonarismo. Em ampla desvantagem em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, Flávio Bolsonaro decidiu escalar o aliado potiguar como coordenador de sua pré-campanha ao Planalto, movimento tratado no grupo como sinalização de que a região será tratada como prioridade em 2026.

Ao anunciar que desistiu de concorrer ao governo do Rio Grande do Norte, Marinho afirmou ter atendido a um pedido de Bolsonaro para “se somar à luta” do filho e classificou a decisão como gesto de “gratidão, solidariedade e lealdade” ao ex-presidente e ao que ele representa. Na terça-feira, a defesa de Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes autorização para que ele recebesse o senador na Papudinha.

Tarcísio cancelou primeira visita

O cancelamento ocorreu para impedir que o encontro virasse um gesto político em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Apesar de já ter feito acenos ao filho do ex-presidente, Tarcísio passou a ver na visita um risco de “enquadramento” eleitoral depois que Flávio antecipou publicamente o teor do encontro e disse que Bolsonaro reforçaria ao governador que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo.

Na quarta-feira, Flávio afirmou ao GLOBO que o pai diria a Tarcísio que seu foco deveria ser o governo paulista:

— Tarcísio vai ouvir da boca de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão descartadas para ele — afirmou o senador.

A declaração foi recebida no entorno do governador como uma tentativa de fixar publicamente uma posição que ele tenta adiar: ainda que negue intenção presidencial imediata, Tarcísio resiste a ser tratado como peça subordinada de uma estratégia definida pelo clã Bolsonaro. Aliados dizem que ele se irritou com a repercussão e optou por recuar para não abrir espaço a cobranças para que “entre de cabeça” na campanha de Flávio.

O cancelamento também provocou incômodo entre aliados do ex-presidente. Um líder de um grande partido do Centrão disse ter achado “estranha” a decisão do governador, percepção que também chegou ao entorno de Flávio. No bolsonarismo, o entendimento é que Tarcísio evitou o encontro porque seria cobrado por Bolsonaro e pressionado a dar um apoio mais explícito ao senador.

A orientação do governador, segundo interlocutores, é não fechar portas, mas também não assumir compromissos adicionais agora. A estratégia é empurrar para abril qualquer definição mais clara sobre o grau de engajamento na eleição presidencial, sob o argumento de que, com Bolsonaro preso e o bolsonarismo em reacomodação, qualquer gesto pode virar “carimbo” de alinhamento. (O Globo)

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