quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

STJ mantém prisão de acusados de desvios de Turilândia


O ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou nesta quinta-feira (19) o pedido de liminar para revogar a prisão preventiva do prefeito afastado de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e de Hyan Mendonça. A decisão judicial mantém a custódia dos investigados, que estão presos desde 22 de dezembro de 2025, quando o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Tântalo II para desarticular um esquema de corrupção no município maranhense.

​Além de manter as prisões preventivas, o magistrado rejeitou o pedido de liberdade plena para a vice-prefeita Tanya Mendes e para a primeira-dama Eva Curió. Ambas permanecem sob monitoramento por tornozeleira eletrônica em regime de prisão domiciliar, benefício concedido anteriormente pela Justiça com base no entendimento de que a presença materna é imprescindível ao desenvolvimento de seus filhos menores. A defesa buscava a derrubada das medidas cautelares, mas o relator optou por aguardar informações complementares do Tribunal de Justiça do Maranhão.

As investigações do Ministério Público apontam que o núcleo político-familiar, liderado por Paulo Curió, teria desviado aproximadamente R$ 56,3 milhões dos cofres públicos entre os anos de 2021 e 2025. O esquema, que resultou na denúncia de 21 pessoas por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações, provocou um colapso institucional sem precedentes na região. Entre os detidos na operação estão todos os 11 vereadores da atual legislatura da Câmara Municipal.

​Diante do vácuo de poder e da paralisia administrativa causada pelas prisões em massa, o governo do Maranhão decretou intervenção estadual em Turilândia no último dia 12 de fevereiro. O governador Carlos Brandão nomeou o defensor público Thiago Josino como interventor para gerir o município e garantir a continuidade dos serviços essenciais à população. A medida excepcional foi tomada após a constatação de que não havia autoridades remanescentes aptas a conduzir a prefeitura e o legislativo local.

​O processo segue agora para análise de mérito no STJ, após o recebimento das informações solicitadas e do parecer da Procuradoria-Geral da República. Enquanto o núcleo político permanece afastado e sob custódia, a intervenção estadual busca estabilizar as finanças e a governabilidade da cidade, que vive o período mais conturbado de sua história política. A decisão do ministro Sebastião Reis Júnior ainda é passível de recurso por parte dos advogados de defesa dos envolvidos.

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