
O ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou nesta quinta-feira (19) o pedido de liminar para revogar a prisão preventiva do prefeito afastado de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e de Hyan Mendonça. A decisão judicial mantém a custódia dos investigados, que estão presos desde 22 de dezembro de 2025, quando o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Tântalo II para desarticular um esquema de corrupção no município maranhense.
Além de manter as prisões preventivas, o magistrado rejeitou o pedido de liberdade plena para a vice-prefeita Tanya Mendes e para a primeira-dama Eva Curió. Ambas permanecem sob monitoramento por tornozeleira eletrônica em regime de prisão domiciliar, benefício concedido anteriormente pela Justiça com base no entendimento de que a presença materna é imprescindível ao desenvolvimento de seus filhos menores. A defesa buscava a derrubada das medidas cautelares, mas o relator optou por aguardar informações complementares do Tribunal de Justiça do Maranhão.
As investigações do Ministério Público apontam que o núcleo político-familiar, liderado por Paulo Curió, teria desviado aproximadamente R$ 56,3 milhões dos cofres públicos entre os anos de 2021 e 2025. O esquema, que resultou na denúncia de 21 pessoas por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações, provocou um colapso institucional sem precedentes na região. Entre os detidos na operação estão todos os 11 vereadores da atual legislatura da Câmara Municipal.
Diante do vácuo de poder e da paralisia administrativa causada pelas prisões em massa, o governo do Maranhão decretou intervenção estadual em Turilândia no último dia 12 de fevereiro. O governador Carlos Brandão nomeou o defensor público Thiago Josino como interventor para gerir o município e garantir a continuidade dos serviços essenciais à população. A medida excepcional foi tomada após a constatação de que não havia autoridades remanescentes aptas a conduzir a prefeitura e o legislativo local.
O processo segue agora para análise de mérito no STJ, após o recebimento das informações solicitadas e do parecer da Procuradoria-Geral da República. Enquanto o núcleo político permanece afastado e sob custódia, a intervenção estadual busca estabilizar as finanças e a governabilidade da cidade, que vive o período mais conturbado de sua história política. A decisão do ministro Sebastião Reis Júnior ainda é passível de recurso por parte dos advogados de defesa dos envolvidos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário