
O Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão que mantenha a cassação do prefeito de Nova Olinda do Maranhão, Ary Menezes (PP), e do seu vice, Ronildo da Farmácia (MDB).
O parecer, assinado pelo procurador regional eleitoral auxiliar Thiago Ferreira de Oliveira, é de novembro de 2025, e foi juntado ao porecco em tramitação na Corte eleitoral. Nele, o representante do MPE reforça a condenação de primeira instância por abuso de poder econômico e compra de votos durante as eleições de 2024, vencidas pela chapa por uma diferença de apenas dois votos.
O órgão sustenta que o conjunto probatório contra os gestores é robusto e detalha um esquema sistemático de corrupção eleitoral que envolveu desde transferências via Pix até o uso direto da máquina pública.
As investigações, que também fundamentaram a Operação Cangaço Eleitoral da Polícia Federal, apontam que eleitores receberam ofertas de R$ 2 mil em dinheiro e materiais de construção, como telhas e cimento, retirados de galpões da prefeitura.
O caso ganha contornos de gravidade com o registro de ameaças e coerção; vídeos gravados por testemunhas mostram aliados do prefeito, incluindo seu sogro, cobrando a devolução de valores e bens após eleitores demonstrarem apoio à candidata da oposição nas redes sociais. Em um dos episódios, uma moradora relatou ter sido ameaçada de morte por não restituir o dinheiro pago pelo grupo político.
A defesa dos gestores tentou anular o processo questionando a legalidade das gravações ambientais e a falta de perícia técnica nos vídeos, mas o MPE rejeitou as alegações. Para o Ministério Público, as filmagens são válidas por terem sido feitas em locais públicos ou por interlocutores que buscavam se proteger de extorsão e ameaças.
Além da compra de votos, a chapa enfrenta uma segunda ação pelo uso de inteligência artificial para simular um apoio falso do presidente Lula durante a campanha. Apesar da sentença de cassação, inelegibilidade por oito anos e multas de R$ 25 mil, Ary Menezes e Ronildo da Farmácia permanecem nos cargos enquanto aguardam o julgamento definitivo pelo TRE-MA.
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