
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a lobista Roberta Luchsinger de “pilantra” e “malandra” durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta quinta-feira (27). Investigada pela Polícia Federal, ela aparece em mensagens e áudios nos quais afirma ter proximidade com o Palácio do Planalto e com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Ao ser questionado sobre as conversas encontradas pela PF, Lula atacou a credibilidade da lobista e sustentou que mensagens retiradas de um telefone, isoladamente, não comprovam a prática de irregularidades.
“O que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone? O fato de ter pegado conversa num telefone não justifica absolutamente nada”, declarou.
O presidente também negou conhecer Roberta ou ter mantido qualquer contato com ela.
“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei, ela nunca esteve próxima de mim. Malandro é igual em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
A declaração, entretanto, contrasta com fotografias publicadas pela própria Roberta nas redes sociais. Há registros dela ao lado de Lula em diferentes ocasiões, entre 2021 e 2022, alguns creditados ao fotógrafo oficial do presidente, Ricardo Stuckert. Uma das imagens mostra a lobista com Lula e a primeira-dama Janja.
As fotografias demonstram que os dois estiveram juntos, mas, por si só, não comprovam uma relação de proximidade ou conhecimento pessoal entre eles.
Lobista mencionou agenda no MA
Roberta também apareceu recentemente em mensagens nas quais afirma que Lulinha teria conseguido uma agenda para o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), no Palácio do Planalto, em maio de 2024.
Em áudio analisado pela Polícia Federal, a lobista disse a Lulinha que Brandão iria ao Planalto porque Lula teria falado em prosseguir com a “liberação da obra dele”.
“Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda”, acrescentou Roberta na conversa atribuída a ela.
O encontro ocorreu em 29 de maio de 2024 e contou com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, conforme registro da agenda oficial.
Cerca de um mês depois, em junho daquele ano, Lula esteve em São Luís e anunciou mais de R$ 59 bilhões em investimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento para o Maranhão. O pacote incluía obras de infraestrutura e investimentos no Porto do Itaqui e na Avenida Litorânea.
Não há, contudo, demonstração de que os investimentos anunciados tenham resultado da suposta intermediação mencionada pela lobista.
Brandão já negou qualquer relação com Roberta Luchsinger. O governador afirmou ainda que suas agendas institucionais em Brasília são obtidas diretamente com autoridades e não dependem da articulação de terceiros.
Lula defende investigação de Lulinha
Durante a entrevista, Lula classificou como “ilações tiradas de telefonemas” as suspeitas envolvendo seu filho. Apesar de declarar acreditar na inocência de Lulinha, o presidente afirmou que não haverá interferência do governo nas apurações.
“Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho”, garantiu.
Lula também reconheceu que Marcola agiu de forma “totalmente errada” ao receber valores de Roberta. O ex-chefe de gabinete sustenta que os pagamentos, estimados em R$ 249 mil, decorreram de empréstimos pessoais. O presidente disse acreditar, por enquanto, nessa versão, mas defendeu a continuidade das investigações.
A defesa de Lulinha nega a prática de irregularidades e afirma que informações sigilosas das investigações estão sendo divulgadas seletivamente, com finalidade eleitoral.
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