
A cúpula do Banco Master tratava como prioridade os pagamentos à advogada Dalide Corrêa, apontada internamente por executivos da instituição como “sócia” do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo apuração da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, Dalide recebeu R$ 33 milhões do banco e atuava em causas relacionadas ao mercado de precatórios.
A suposta sociedade, mencionada em mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi negada tanto por Gilmar Mendes quanto pela advogada. O ministro classificou a associação como “falsa”. Dalide também afirmou não possuir relação com o BTG Pactual, outra ligação citada nas conversas.
Em dezembro de 2024, ao cobrar de Vorcaro a liberação de um pagamento, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, escreveu que a quantia era destinada a Dalide e mencionou os precatórios. “Ela é sócia do GM stf”, afirmou o executivo, em referência a Gilmar Mendes.
Os diálogos, apreendidos pela Polícia Federal, mostram cobranças recorrentes pela liberação de recursos para a advogada. Em agosto daquele ano, Rennó já havia pedido urgência na autorização de uma fatura de R$ 15 milhões.
“Amigo, tudo bem? Quando possível dê ok com certa urgência ao Félix! Turma na outra ponta cobrando forte”, escreveu Rennó. Questionado por Vorcaro sobre o motivo do pagamento, o diretor respondeu: “Aquela fatura de 15m para a Dra Dalide! André te mandou a explicação ontem! Obtivemos vitória importante no caso da Catende!”.
A referência era a uma disputa envolvendo precatórios da Usina Catende, em Pernambuco. O Master acompanhava processos bilionários relacionados a indenizações cobradas por usinas sucroalcooleiras em razão do tabelamento de preços promovido pelo governo federal nas décadas de 1980 e 1990.
Ainda segundo a apuração, Vorcaro também tentou uma aproximação com Gilmar Mendes por causa de um processo relacionado a um precatório da Usina Alcídia. Em abril de 2024, o ex-banqueiro e advogados do Master foram recebidos pelo ministro em seu gabinete no STF. A audiência foi confirmada pela assessoria do magistrado, que posteriormente votou contra os interesses defendidos por Vorcaro.
Dalide trabalhou durante cerca de nove anos no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar Mendes e atualmente comandada por um dos filhos do ministro. Ela deixou o cargo de diretora-geral em 2016.
O gabinete de Gilmar ressaltou que a advogada nunca foi sócia do IDP, tendo exercido apenas um cargo técnico de direção. O ministro também declarou não ter conhecimento da atuação de Dalide em processos sobre precatórios do setor sucroalcooleiro.
Uma auditoria interna do Banco de Brasília (BRB), realizada durante a tentativa de aquisição do Master, identificou o pagamento de R$ 33 milhões ao escritório da advogada. A Polícia Federal também encontrou mensagens nas quais Alberto Félix, ex-superintendente-executivo de tesouraria do banco, descrevia Dalide como um “canal direto com o STF”.
Os precatórios ocupavam posição central no modelo de negócios do Banco Master. Em 2024, esses títulos e outros direitos creditórios representavam 47% da carteira da instituição. O banco comprava os papéis com desconto e registrava valores maiores em seu balanço, considerando-os créditos de recebimento garantido.
Parte desses ativos, conforme as investigações, também teria sido vendida a fundos ligados à Reag por valores superfaturados, em operações que estão sob suspeita de terem sido usadas para desviar recursos do banco.
G Léda
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