Por Joaquim Haickel

Analisei algumas das afirmações mais frequentes de Lula para verificar sua correspondência com os fatos. O resultado revelou um padrão recorrente de falsidades, exageros, apropriações de realizações coletivas, manipulações de números e acontecimentos históricos. Um verdadeiro festival de mentiras.
É muito provável que Lula seja, além do campeão nacional da mentira, o recordista internacional nessa prática, considerando suas décadas de protagonismo político, o longo período durante o qual exerceu o poder e a maneira como o utiliza em benefício próprio. O levantamento realizado deixa claro que ele recorre frequentemente à distorção da realidade sempre que isso lhe é política e pessoalmente conveniente, o que acontece quase sempre.
O padrão mais frequente não consiste apenas em inventar fatos. É algo bem mais elaborado:
- Ele transforma sua participação em autoria exclusiva.
- Apresenta como criação pessoal aquilo que seu governo ampliou, regulamentou ou ajudou a implementar.
- Incorpora ao próprio currículo resultados produzidos coletivamente ou alcançados durante outros governos.
- Converte a melhoria de determinados indicadores na solução definitiva de problemas que continuam existindo.
- Mistura estatísticas, períodos e metodologias diferentes para produzir números favoráveis à narrativa que pretende construir.
Lula não criou o Simples nem o MEI, tampouco gerou 22 milhões de empregos formais em seus dois primeiros mandatos. Seus governos contribuíram para a ampliação do Simples, para a implantação do MEI e para a redução da fome. Reconhecer essas realizações, porém, não obriga ninguém a aceitar a apropriação pessoal de obras coletivas, a adulteração dos números ou a reescrita da história.
Lula é um mentiroso contumaz, e não se deve depositar confiança em quem transforma a mentira em método permanente de atuação política, de controle das narrativas e de manipulação da opinião pública.
Realizei pesquisa semelhante sobre declarações de Flávio Bolsonaro e constatei que ele também mente reiteradamente. A diferença mais relevante não está na pura e simples existência da mentira, presente nos dois, mas no tempo, na dimensão, no alcance e nos instrumentos de poder disponíveis para difundi-la.
Lula é protagonista da política nacional desde o final da década de 1970. Exerceu a Presidência durante doze anos, e seu partido comandou o Executivo federal por dezoito anos. Durante esse período, construiu uma narrativa destinada a apresentar realizações coletivas como conquistas pessoais e políticas públicas como manifestações de sua generosidade.
Dessa maneira, direitos financiados pela própria sociedade passam a ser apresentados como “bondades” concedidas pelo governante. O cidadão deixa de ser tratado como titular de direitos e passa a ser conduzido à condição de beneficiário agradecido. A assistência necessária se transforma em dependência política, e a vulnerabilidade social passa a ser explorada como instrumento de controle e permanência no poder.
Flávio Bolsonaro também mente e deve ser responsabilizado politicamente por isso. Lula, contudo, dispõe de algo que Flávio nunca teve: décadas de protagonismo nacional, doze anos no exercício direto da Presidência e outros seis anos de controle partidário da máquina federal. Suas falsidades, portanto, não são apenas frases de campanha. Elas ajudam a construir uma realidade política artificial, mantida pelo poder, pela propaganda e pela dependência e a “escravização” de milhões de brasileiros.
Tudo isso sem contar os diversos e enormes escândalos de corrupção ocorridos ao longo do período em que ele e seu grupo político estiveram ou permanecem no comando do país.
Essa prática é abjeta, repugnante, torpe, moralmente inaceitável e imperdoável. Mentir para conquistar votos já é condenável. Usar o Estado para transformar direitos em favores e cidadãos livres em indigentes dependentes é ainda pior: significa explorar justamente as pessoas mais fragilizadas que o governo afirma proteger.
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