sábado, 10 de outubro de 2026

Em política, quem vence está certo, mesmo quando parecia errado

 


Por Joaquim Haickel

O título deste texto deveria ser suficiente para explicar tudo o que gostaria de dizer sobre o meu engano ao imaginar que Eduardo Braide teria imensa desvantagem na eleição para o governo do Maranhão por não contar com o apoio dos grupos políticos majoritários nos municípios do interior do estado.

Em minha avaliação inicial, feita no ano passado, atribuí um peso muito maior ao apoio político do que ao apoio popular. Não imaginei que pudesse ocorrer, em 2026, um fenômeno semelhante ao que acontecera sessenta anos antes, em 1965, quando José Sarney foi eleito governador do Maranhão.

Com o decorrer da campanha, fui observando as mudanças que aconteciam, e dois fatos foram determinantes para que eu reformulasse minha análise sobre o pleito.

Quando André Fufuca aderiu à candidatura de Braide, afastando-se do grupo liderado pelo governador Carlos Brandão, o sinal amarelo se acendeu em minha mente. O sinal vermelho surgiu quando o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, realizou o mesmo movimento e também se afastou do grupo ao qual pertencia.

Há quem diga que os dois, assim como outros integrantes do grupo governista que apoiaram Braide, cometeram traição. Discordo dessa análise simplista. Não penso que tenham traído alguém. Apenas escolheram um caminho diferente.

Ninguém é obrigado a apoiar ou deixar de apoiar quem quer que seja, especialmente quando um grupo político passa a ser conduzido de maneira excessivamente restrita e familiar. Tampouco se pode exigir que alguém permaneça seguindo uma direção contrária aos seus próprios interesses.

O que realmente me fez perceber que Eduardo Braide venceria a eleição, porém, foram duas ligações telefônicas que recebi, no início de agosto, de amigos que me apoiaram quando eu era deputado. Fiz a ambos a mesma pergunta e recebi respostas praticamente idênticas: várias lideranças políticas antagônicas entre si apoiavam Orleans, mas o povo estava com Braide.

Depois desses acontecimentos e das informações que fui reunindo, reformulei completamente minha avaliação. A cada dia, tornou-se mais evidente o crescimento de uma candidatura cuja principal força não vinha das estruturas políticas tradicionais, mas do anseio popular por uma nova liderança e por mudança.

Haverá quem diga que as ações do ministro Flávio Dino contra o governador e seu grupo político contribuíram para a vitória de Braide. Eu Discordo. Se essa interferência tivesse sido determinante, deveria ter beneficiado principalmente o candidato apoiado por Dino, o que não ocorreu. Seu candidato não chegou a ter 10% dos votos.

A votação de Eduardo Braide foi, antes de tudo, consequência do trabalho realizado por ele à frente da Prefeitura de São Luís. Também refletiu a crescente antipatia da população pelos grupos políticos tradicionais, vistos por grande parte do eleitorado como antigos, fechados e ultrapassados.

No início, cometi o erro de superestimar a força das lideranças políticas e subestimar a capacidade do eleitor de tomar sua própria decisão. Imaginei que a soma dos apoios municipais prevaleceria sobre o sentimento popular. O resultado mostrou exatamente o contrário.

A máquina pode reunir prefeitos, vereadores, deputados e lideranças. Pode organizar palanques, estabelecer alianças e ocupar espaços. Mas, quando o desejo de mudança se torna suficientemente forte, nenhuma estrutura consegue substituir a vontade do eleitor.

A maior demonstração da autonomia desse eleitorado apareceu nas eleições proporcionais. Braide venceu, e seus candidatos ao Senado, Fufuca e Lahésio, também foram eleitos. Entretanto, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, os partidos ligados a Braide foram fragorosamente derrotados. Seu próprio irmão não se elegeu deputado Federal.

Isso demonstra que o voto em Braide não foi necessariamente um voto em seu grupo político. Foi, principalmente, um voto pessoal, conferido a ele pelo trabalho realizado e pela esperança que sua candidatura despertou. O eleitor soube distinguir os candidatos, separar as disputas e fazer escolhas diferentes para cada cargo.

Acredito que a forma como venceu a eleição, sem depender direta e decisivamente de algum grupo ou de alguém, dá a Braide aquilo que mais o caracteriza: Não depender de ninguém, ouvir apenas a sua consciência, escolher individual e pessoalmente o que fazer. Esse é seu estilo, seu modus operandi. Se der certo o mérito será dele. Tem dado muito certo.

Chego ao final deste texto com a clara impressão de que ele poderia ter outro título, acompanhado de um subtítulo: Para ganhar uma eleição, não basta ter vaqueiro. É preciso despertar no povo a vontade de mudar e a esperança de viver dias melhores… E ser Eduardo Braide.

Nenhum comentário:

http://omaiordomundobr.blogspot.com.br/2017/03/governo-do-maranhao-bolsa-escola.html