
O deputado federal reeleito Rubens Júnior (PT) afirmou, nesta sexta-feira (6), que o Partido dos Trabalhadores cometeu um erro estratégico ao rejeitar uma aliança com Eduardo Braide (PSD) na disputa pelo Governo do Maranhão. Em entrevista ao programa Ponto Final, da Mirante News FM, o parlamentar revelou que o governador eleito chegou a oferecer ao grupo político ligado ao presidente Lula a indicação dos dois candidatos ao Senado em sua chapa.
Segundo Rubens Júnior, a negociação não avançou porque o PT condicionou o apoio a Braide a uma declaração pública de apoio à reeleição de Lula ainda no primeiro turno. O então candidato ao governo recusou a exigência e manteve sua posição de neutralidade na disputa presidencial.
Para o deputado, o partido deveria ter aceitado a composição, apoiado Braide ao governo e concentrado esforços na candidatura de Felipe Camarão ao Senado. Na avaliação dele, a estratégia poderia ter fortalecido o campo político lulista e evitado a fragmentação que acabou favorecendo a eleição de um candidato do Novo para uma das vagas de senador.
Rubens Júnior também apontou uma contradição na postura do PT. Segundo ele, a legenda rejeitou a neutralidade defendida por Braide no primeiro turno, mas passou a adotar posicionamento semelhante durante a segunda etapa da eleição presidencial.
Apesar das divergências eleitorais, o parlamentar defendeu uma aproximação entre o governador eleito e o presidente Lula. Ele afirmou que pretende atuar como interlocutor entre as duas administrações, buscando parcerias e investimentos federais para o Maranhão.
O deputado reconheceu que já havia criticado a neutralidade de Braide durante a eleição municipal de São Luís, em 2020, mas disse ter revisto sua avaliação. Para ele, o governador eleito demonstrou coerência ao manter uma postura de independência em relação aos grupos políticos de Lula e Bolsonaro.
Durante a entrevista ao jornalista Jorge Aragão, Rubens Júnior também mencionou as dificuldades internas enfrentadas pelo PT maranhense, como a judicialização do Processo de Eleições Diretas (PED), a instalação de uma comissão provisória na direção estadual e o rompimento político entre o governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão.
Mesmo diante dos problemas, o parlamentar destacou o desempenho eleitoral do presidente Lula no Maranhão, estado que, segundo ele, garantiu a terceira maior votação proporcional ao petista no país, atrás apenas do Piauí e da Bahia.
Rubens Júnior também considerou positivo o resultado do PT nas eleições proporcionais. A legenda manteve uma cadeira na Câmara dos Deputados e conquistou duas vagas na Assembleia Legislativa do Maranhão, onde não possuía representantes na legislatura anterior.
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