
Em meio à ampla repercussão da divulgação de que o procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo de Castro, pediu ao Tribunal de Justiça o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT) – e, principalmente, após a decisão da Assembleia Legislativa de abrir uma CPI sobre supostas movimentações financeiras atípicas do petista -, surgiu uma nova tese entre os dinistas: a de que estaria em curso um grande plano de perseguição.
A narrativa assemelha-se muito – em relação à falsidade do argumento – com a de que o objetivo seria realizar uma eleição indireta para elevar Orleans Brandão (MDB) ao posto de governador (saiba mais).
A tentativa de vender essa nova ideia, contudo, não se sustenta.
E o motivo é muito simples: o próprio governador Carlos Brandão já deixou claro, de forma pública e reiterada, que permanecerá no cargo até o fim do mandato. Ou seja: não há nada que justifique qualquer movimento de “eliminação” de um adversário dentro do próprio grupo.
E se não há justificativa para tal movimento, o que exatamente Brandão ganharia ao perseguir Felipe Camarão?
A resposta mais honesta é: absolutamente nada.
Ainda mais quando se observa o cenário sucessório. Camarão sequer desponta como protagonista em termos de intenções de votos. Ele aparece, até aqui, na quarta colocação nas pesquisas – resultado que se repete desde o ano passado. Não é, portanto, um alvo eleitoral.
E é justamente neste ponto que a narrativa começa a ruir.
Que fique claro: Camarão tem todo o direito de se defender das suspeitas do MP e de reagir contra a abertura de uma CPI – como tem feito nas redes (veja um exemplo aqui).
Fazer isso usando discurso de perseguição, todavia, parece menos ancorado em fatos e mais alinhado a uma estratégia focada em artificialmente criar um antagonista para angariar algum capital político.
O problema é que essa construção exige coerência mínima e ela simplesmente não existe.
As investigações que vieram à tona contra o vice-governador não nasceram de articulações palacianas, mas de órgãos de controle – um deles federal, o Coaf -, com tramitação formal no Judiciário. Transformar isso em uma conspiração política exige um “duplo twist carpado” lógico que não prospera. E, além disso, acaba por fazer um caso que deveria ser tratado com seriedade virar peça de narrativa, e questionamentos legítimos serem rotulados como perseguição.
Camarão já viu ruir muitos de seus planos eleitorais por seguir cegamente os conselhos de gente que, no fim das contas, é muito barulhenta e astuta na construção de narrativas, mas que parece não se preocupar verdadeiramente com seu futuro político.
Repise-se: defender-se diante dos fatos é um direito legítimo do vice-governador. Mas que isso seja feito de forma técnica, sem se deixar ser escada para um esforço evidente de reposicionamento político de um grupo que, sem poder político, só conta com o gogó atualmente.
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