segunda-feira, 27 de julho de 2026

Tech Office: Brandão relaciona ação no STF a rompimento com grupo de Dino

 

O governador Carlos Brandão (MDB) comentou, em nota enviada à Folha de S. Paulo, o “Caso Tech Office” e as recentes decisões do ministro Flávio Dino, do STF, contra seu ex-secretário Raimundo Cutrim.

Segundo ele, os casos começaram a surgir após seu distanciamento do grupo político anteriormente liderado por Dino no Maranhão. A manifestação foi publicada pelo jornal nesta segunda-feira (27), na esteira de novos vazamentos de áudios vinculados ao inquérito.

Brandão declarou que exerceu diferentes funções públicas sem responder a processos relacionados à sua atuação. Segundo ele, as ações surgidas a partir de 2024 estariam fundamentadas em “narrativas manipuladas” e teriam como pano de fundo o rompimento político ocorrido no Maranhão.

“Fui deputado federal, vice-governador, secretário de Estado e nunca tive nenhum processo contra qualquer atuação. Agora, neste contexto atual, a partir de 2024, surgem todos esses processos, dentro de narrativas manipuladas, que não condizem com a realidade, depois de um distanciamento político de um grupo que persistia em se manter permanentemente nos espaços públicos de poder, de maneira impositiva e sem diálogo”, declarou.

A afirmação foi dada no contexto de reportagem sobre as investigações relacionadas ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022. O caso está sob a relatoria de Flávio Dino no STF e apura, entre outras linhas, uma possível relação do crime com uma suposta cobrança de propina atribuída ao presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, sobrinho do governador. Ele não foi condenado no caso.

Na última semana, Dino determinou medidas contra o secretário estadual Raimundo Cutrim, incluindo prisão domiciliar, busca e apreensão e afastamento do cargo, diante de suspeitas de obstrução de Justiça. A investigação considera um áudio no qual o secretário seria suspeito de tentar convencer familiares de Gilbson Cutrim, condenado pela execução do empresário, a alterar depoimentos e não relacionar o homicídio a Daniel Brandão.

As decisões ampliaram a tensão entre os grupos de Carlos Brandão e Flávio Dino, rompidos politicamente desde 2024. Aliados do governador questionam a imparcialidade do ministro para atuar em processos envolvendo o Maranhão, enquanto interlocutores de Dino sustentam que ele não se enquadra em nenhuma hipótese legal de suspeição ou impedimento.

G Léda

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