
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pediu esclarecimentos aos operadores de dois aviões privados ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro sobre eventual transporte remunerado de passageiros sem autorização para táxi aéreo. Segundo reportagem do Estadão, as aeronaves são mencionadas em apurações sobre possíveis viagens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entre Brasília e São Paulo em 2025.
O pedido consta de despacho assinado em 28 de outubro pelo superintendente de Operações da Aviação Geral da agência, Edvaldo Rodrigues de Oliveira. O documento trata dos aviões de prefixos PP-BIO e PS-FSW. Conforme o jornal, a Anac aguarda as respostas dos operadores para avaliar se houve alguma irregularidade.
O PS-FSW pertence à empresa FSW PSE, que tem entre os sócios Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A aeronave decolou de Brasília para Congonhas às 19h16 de 7 de agosto de 2025. Dados da Inframérica enviados à CPI do Crime Organizado apontam que Moraes havia acessado o terminal executivo do aeroporto às 19h. O piloto do avião, contudo, negou em documento consultado pelo Estadão que o ministro estivesse a bordo.
Naquela noite, também houve um voo para Congonhas do Phenom 300 de prefixo PR-SAD, operado pela Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. Esse avião, segundo a reportagem, tinha autorização para táxi aéreo.
Já o PP-BIO, também operado pela Prime Aviation, não possuía autorização para transporte remunerado. De acordo com informações da Folha de S.Paulo reproduzidas pelo Estadão, Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, tiveram a presença registrada em um hangar de Brasília em 16 de outubro de 2025. Na mesma data, o avião partiu para o aeroporto Catarina, em São Roque (SP). Os registros citados não confirmam, por si só, que o casal embarcou nessa aeronave.
Em manifestação divulgada em abril, o escritório de Viviane informou que utilizava serviços de diferentes empresas de táxi aéreo, incluindo a Prime Aviation, com pagamentos por compensação de honorários prevista em contrato. Na mesma época, o gabinete de Moraes negou que o ministro tivesse viajado em aviões de Vorcaro ou na companhia do banqueiro e de Zettel. Segundo o Estadão, o ministro foi procurado novamente, mas não respondeu até a publicação da reportagem.
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